O PAÍS DAS COLINAS, DOS BOSQUES, DAS IGREJAS E DO DNIPRÓ

O espetáculo do Balé Nacional da Ucrânia, Virsky, apresentado durante 3 dias no Teatro Guaira, foi a oportunidade rara de se emocionar com beleza, cores, disciplina, leveza, técnica, apresentados por 70 profissionais de alto nível: 50 bailarinos, 20 músicos. Nesses tempos em que as notícias são todas ruins, em que a lama escorre pelas caras de pau, em que a televisão nos horários nobres apresenta carnificinas de países dominando outros ou povos manipulados pelos seus próprios irmãos, gente morrendo como moscas em casa, na rua, na escola, é sempre um bálsamo poder passar duas horas só de belas imagens. No grupo, embora de dança folclórica, o saber fazer é conseguido com aulas, treinamento e disciplina de balé clássico e cinco bailarinas foram apontadas como as melhores da Europa. Então, quem perdeu a chance de ser feliz, pode seguir para o Rio de Janeiro, onde o Virsky se apresenta dias 17, 18 e 24 (Teatro São Caetano), Belo Horizonte, dias 19 e 20 de abril (SESC Palladium), Ribeirão Preto, 22 de abril (Teatro Pedro II), Brasília, 27 de abril (Teatro Nacional Claudio Santoro), São José dos Campos, 29 de abril ( Teatro Municipal de São José dos Campos), São Paulo, dias 1,2,3 e 4 de maio (Teatro Municipal de São Paulo) e Santos, 5 de maio (Teatro Coliseu).

TRADIÇÃO

O mais renomado grupo de danças ucranianas do mundo, tem história de 75 anos e veio ao Brasil como parte das comemorações do 20º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre nosso país e a Ucrânia. A companhia já visitou mais de 70 países, entre eles Estados Unidos, França, Vietnam, Coréia, China, Suíça, Dinamarca. O grupo leva o nome do coreógrafo ucraniano Pavlo Virsky, nascido em Odessa , que começou carreira dirigindo o balé da Ópera de Odessa. Depois da II Guerra Mundial, Virsky retornou à Ucrânia, criando o grupo de dança folclórica, recebendo os principais prêmios da época, inclusive o Prêmio Estatal de Ucrânia T.G.Shevchenko,em 1965. Hoje a direção do Balé Nacional da Ucrânia é de Myroslav Vantukh.

DESTINO UCRÂNIA

Sergio Maciura, titular da Dnipró Gold, operadora curitibana especializada em Leste Europeu há 18 anos, foi um dos organizadores da vinda do Virsky ao Brasil. Para quem perdeu o espetáculo, a chance agora é a de visitar Kiev, Odessa, Yalta, Lviv, Sebastopol, Montes Cárpatos e Zaporizhia, participando do grupo especial que Sergio está formando, com saída de Curitiba em agosto de 2012. Daí vai ser possível descobrir a cultura, tradições, gastronomia, paisagens, hospitalidade do povo, cujos imigrantes ajudaram a construir o Paraná. Veja no www.dniprogold.com.br

E saiba que Kiev, a capital da Ucrânia, foi construída sobre colinas, em meio a bosques de tílias, de onde surgem aqui e ali as cúpulas douradas das igrejas bizantinas, os campanários de muitos sinos, decorados como porcelanas finas e ainda se conservam prédios geométricos e estátuas gigantescas, Valquírias da era stanilista, porque fazem parte da história. E história não se apaga: a gente herda. O grande rio Dnipró atravessa a cidade, desvendando palácios requintados em cores pastel, cheios de decoração em estuque e a igrejas que mantiveram a fé ortodoxa mesmo em tempos de domínio russo. Ao longo da Kreshchatik, os palácios relembram os anos 20, 30, 50 e é o ponto de encontro de todos, locais e turistas. O monastério Pechersk Lavra, iniciado em 1051 na margem do Dnipró, continua sendo lugar de peregrinação. E é indispensável visitá-lo. Hoje são as contradições que fazem o charme da capital ucraniana. Em Kiev também trabalharam alguns dos principais arquitetos italianos de época, que construíram São Petersburgo, como Rastrelli e Beretti. Na romântica Kiev sempre se têm a impressão de que, a qualquer momento, vão surgir do bosque, no parque ou na igreja, os grande escritores, poetas, artistas, pintores que nasceram na cidade: Viktor Nekrasov, Anna Akhmatova, Isaac Babel, que estudaram e publicaram suas primeira poesias em Kiev, ou o pintor Kasimir Malevich, o pianista Vladimir Horowitz, o coreógrafo e bailarino Serge Lifar, Mikhail Bulgakov. Taras Shevchenko, poeta maior, líder nas letras da Independência, teve o teatro da Opera e Balé dedicado em sua homenagem, assim como parque da Universidade onde estudou e lecionou, com sua estátua. E a casa onde morou, transformada em museu e uma elegante rua leva seu nome. Serge Lifar estudou e dançou no Teatro Ivan Franko, construído no estilo neoclássico e a casa dos arquitetos que era parte do complexo em torno do conservatório onde Horowitz estudava e o compositor Reinhold Gliere dirigia aos músicos, é hoje parte do complexo da televisão e radio estatal. Na praça ao lado, fica a estátua de bronze de Mikhail Panikovskiy, personagem do romance que se fingia de cego e roubava as pessoas que pretendiam ajudá-lo a atravessar a esquina de Kreshchatik e Proreznaya. Kiev também tem seu Montmartre: Andreyevski Spusk, na parte alta da cidade, uma rua Cult cheia de bancas tipo mercado das pulgas, no início da igreja de St. Andre, no Detinec, antiga cidadela fortificada. A região desce até o local dos antigos artesãos, na bairro Podol. No número 13, uma casa amarela do século 19 era onde morava o escritor Mikahil Bulgakov, hoje um museu. Bulgakov também era médico, profissão que abandonou em 1920, para se tornar escritor.Diz um refrão popular que não existira Kiev sem Podol, dos artesãos, onde viviam gregos, armênios, judeus, polacos, alemães, hoje lotado de pequenos restaurantes, bares e cafés. A Ucrânia se transformou em país independente em 1991 e Kiev renasceu, seguindo antigos mapas, fotos, desenhos, reconstituiu igrejas, monastérios e palácios destruídos pelos comunistas e pelos nazistas . A cidade recolocou, em seus lugares originais, seus edifícios que são verdadeiras obras de arte, hoje à disponíveis aos turistas do mundo todo.

Fonte: Bem Paraná

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