«Breve Histórico da Imigração Ucraniana no Brasil»

imigrantes

O início…

Tudo teve o seu inicio no final do século passado, quando em 1891 e mais tarde em 1895-96, levas de imigrantes chegavam ao Brasil, provenientes da Ucrânia Ocidental, região que então fazia parte do antigo Império Austro-húngaro e da Polônia.

Animados, ou talvez iludidos pelos agentes da imigração na Europa, passando dificuldades devido as imposições do Czarismo da Rússia e Ucrânia Oriental, sofrendo nas mãos dos senhores feudais do ocidente, a melhor saída seria, de fato, a imigração.

Chegando ao Brasil, porém, constatou-se que a propaganda imigratória era enganosa. Sentiram as dificuldades já em alto mar, devido as precárias condições dos navios que para ca transportavam estes imigrantes.

A promessa da terra…

Desembarcados no Rio de Janeiro e Paranaguá, iniciava-se uma nova epopéia. Viajando em condições quase desumanas, chegam a Curitiba, onde recebem os lotes de terra no interior. Em seguida, seguem em comboios de carroças, a cavalo ou a pé. Para onde? Para o interior do Paraná, nas regiões íngremes do norte do município de Prudentópolis. Outros seguem para Santa Catarina, em terras tomadas dos índios Botocudos, na região de Iracema, hoje municípios de Itaiópolis , Papanduva e Santa Terezinha. Outros descem pelo Rio Iguaçu, atingindo a região de Santa Cruz do Rio Claro(Colônia 5, Serra do Tigre), hoje municípios de Mallet, Paulo Frontin, Paula Freitas, Rio Azul. Outros ainda vão mais alem, para as regiões inóspitas de então, do Jangada, hoje municípios de União da Vitória, Porto União, General Carneiro e Cruz Machado.

O que estes imigrantes encontraram?

Matas fechadas, animais bravios, doenças tropicais, que não se conheciam na Europa… Fome, desilusão! A dificuldade na comunicação, a intolerância dos nativos…

O que fazer? Imprescindível a presença da igreja.

Muitos começaram a relembrar o passado na Ucrânia. Voltar? Impossível! E necessário organizar-se e retomar a vida. Como fazer? Lembram-se da Igreja. Vão ao encontro dos Padres do local, mas estes não os entendiam. Escrevem para a Ucrânia: temos necessidade da Igreja! Enviem-nos Sacerdotes! Em 1896, vem ao Brasil o Pe. João Volianskiy, como emissário do governo Austro-húngaro, para se certificar da realidade do povo. Após a visita, retorna para a Europa. Então, o Cardeal Silvestre Sembratovicz, Arcebispo Metropolita de Lviv, começa a sua missão. Em 1896, envia dois Sacerdotes: Pe. Nicolau Michailevicz e Pe. Nikon Rozdolskiy, da Arquidiocese de Lviv. Como sabemos, os Padres diocesanos no Rito Oriental eram, na sua maioria, padres casados. Por isso, quando para cá chegaram, não obtiveram, das autoridades eclesiásticas locais, a jurisdição para aqui exercerem o ministério Sacerdotal. Pe. Nikon Rozdolskiy era viúvo, por isso obteve a jurisdição, do então Bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros, sendo nomeado, conforme o Livro I de Registros da Cúria da Diocese, como Cura de Prudentópolis, para os Rutenos (ucranianos), no dia 10 de julho de 1896. Pe. Nicolau teve que voltar para a Europa.

Muito jovem e dinâmico, Pe. Nikon inicia o seu trabalho na região de Prudentópolis. Em setembro do mesmo ano, recebe a jurisdição do então Bispo D. José, para “administrar o Sacramento do Batismo e do Matrimonio, também aos Católicos de Rito Latino na região de Prudentópolis”. (Livro de Registros I). Um ano mais tarde, em junho de 1897, chega ao Brasil o primeiro Sacerdote da Ordem de São Basílio Magno: Pe. Silvestre Kizyma. É nomeado, sempre pelo Bispo de Curitiba, no dia 28-06-1897, como Capelão da Colônia Rutena de Prudentópolis. O Pe. Nikon, recebe a mesma nomeação para atender os Rutenos da Colônia de Rio Claro(Mallet).

Situação Atual

Hoje, no Brasil há mais de 300 mil imigrantes ucranianos e seus descendentes, dos quais 90% estão no Paraná, destacando-se o Município de Prudentópolis onde 75% da população é de origem ucraniana.

Descendentes dos primeiros imigrantes ucranianos, hoje contamos com quarta e quinta geração cujo trabalho e dedicação são reconhecidos nas mais variadas áreas.


Fontes:

Pe. Daniel Kozlinski, Pároco da Catedral Ucraniana em Curitiba
Catálogo “Museu Ucraniano em Curitiba”
http://www.geocities.com/collegepark/union/2240/ucra.htm