» Imortais da Ucrânia

Tarás Schevczenko (1814-1861)

Somente no seio de um povo, oprimido durante séculos, é que poderia nascer um gênio tão grande quão Tarás Schevczenko ( 1.814-1.861 ). Poeta reconhecido mundialmente, com amarga dor no coração, via a violenta opressão do seu povo e, com a sua afiada pena, conclamava seus conterrâneos para o levante contra o regime dos czares. “Levantai, rompei os grilhões…” – este clamor do arauto do espírito da nação ucraniana era perigoso para os czares e, por esta razão, “o maior dos insurrectos” foi obrigado , durante sua vida, sujeitar-se a tortuosa disciplina soldadesca, desconfiança, repatriação, ofensas e dias cheios de amargor. Grande Kobzár ucraniano, em sua criatividade, denunciava o tirano moskovita, amaldiçoava os traidores provindos do meiodo seu povo, pois anciava, com todo seu ser, fazer renascer o espírito guerreiro de Sviatosláv e a grande nação dos kosakê. Schevczenko alerta que as esperanças nas forças alheias, em questão da libertação do povo, são vãs:

«Assim como derramavam seu sangue
Os pais pela Moskvá e Varsóvia,
A vocês, seus filhos, transmitiram
Seus grilhões e suas glórias».

O rico acervo poético do grande gênio ucraniano chegou até nossos dias. Nome de Tarás é sagrado para todo ucraniano.

Iván Frankó (1856 – 1916)

O Grande Pedreiro Iván Frankó

O segundo profeta da nação ucraniana, depois do imortal Tarás, tornou-se Iván Frankó (1.856 – 1.916). Este gigante do ucraniano espírito, que impulsiona o corpo para a luta , com sua ardente criatividade, inspirou o povo para a luta contra os opressores. Através da poesia “Kamenhari” (Os Pedreiros), o poeta revolucionário lança o grito:

Despedaçai esta rocha.
Que o calor e nem o frio
Vos contenham.
Suportai cansaço, sede e a fome,
Porque a vós foi dado
a fragmentar esta rocha!

Iván Frankó, durante toda sua vida, sofreu privações, era perseguido e acuado mas, a ele, filho de um ferreiro de Haleczená, “coube o destino de ser grande”.

De modo idêntico como Schevczenko, na parte oriental, na parte ocidental da Ucrânia, Frankó cumpriu sua missão no renascimento da consciência nacionalista de seus contemporâneos.

Nenhum filho da Ucrânia vingou glória maior do que Schevczenko e Frankó. Como testamento do último, tornaram-se as palavras:

Já se foi, já se foi, já passou
Tempo-hora a Moskvá e Polônia servir,
Injustiça vetusta atingiu os limites,
Para nós chegou hora prá Ucrânia viver!

Léssia Ucraínka (1871 – 1913)

A Genial Léssia Ucraínka

O talento poético de Léssia revelou-se já na sua tenra idade. Maravilhosa nativa de Vólenh, estórias e contos populares , e a educação familiar, tiveram profunda influência na formação da personalidade da poetisa. Dentro de sua criatividade pulsam o ilimitado amor pela Ucrânia, pelo seu povo natal, e o incontido desejo de luta e de auto-sacrifício em prol da liberdade e da independência. Alada, planava sobre a nossa terra, seu brado:

Quem libertar-se sozinho – será livre,
Quem libertar a alguém – leva-lo-á para prisão.

Léssia Ucraínka (1.871 – 1.913) era a maior poetisa dentre os mais renomados mestres da palavra do mundo. De corpo frágil, com espírito insubjugável, forte e livre, ela incentivava os ucranianos para a luta, para o sacrifício, para a dedicação.

Eu, para o íngreme morro, e liso,
Pedra pesada irei carregar,
E, o peso levando tão grande,
Canção d’alegria eu vou é cantar!

Desde o tempo do clamor de Schevczenko: “Enterrai e Levantai…” – a Ucrânia não ouviu uma composição poética tão poderosa e tão comovente. O motivo maior da vida desta gloriosa filha da Ucrânia eram seus pensamentos: “sem esperanças – acreditar, nos contratempos – cantar as canções, mesmo em lágrimas – sorrir, e semear a vida – onde reina a morte.”


Fontes:

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