Homilia do Patriarca

Homilia de Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla – Nova Roma, durante a Divina Liturgia no “Domingo da Ortodoxia”, no decurso da Celebração da Confirmação da recente recepção pelo Patriarcado Ecumênico de todos os Ortodoxos Ucranianos na Diáspora

(Phanar, 12 de março de 1995)

† BARTOLOMEU I
Pela graça de Deus, Arcebispo de Constantinopla – Nova Roma,
Patriarca Ecumênico.

Irmãos concelebrantes e mui amados filhos do Senhor, Fundador da Igreja.

De um modo muito expressivo, este dia do venerável aniversário da restauração dos santos ícones na Igreja demonstra a plenitude do phonema Ortodoxo, ou modo de pensar, e a contínua fé da Igreja indivisa. Este dia é muito apropriadamente caracterizado como o “Triunfo da Ortodoxia”, sendo também conhecido como “O Domingo da Ortodoxia”.

Esta é também a razão pela qual nossa Grande e Santa Igreja de Cristo de Constantinopla – de onde o mandato de Cristo foi propagado sempre sem inovação a todos, próximos ou distantes – considerou este dia em particular como o mais apropriado para confirmar um novo triunfo da fé e da Ortodoxia. Nesta co-celebração hierárquica, festejamos a sagrada recepção, sob nosso modesto omophorion, de todos os Ucranianos Ortodoxos na Diáspora que Suas Eminências têm pastoreado por muitas décadas.

A justificada alegria da Grande Santa Mãe Igreja de Cristo de Constantinopla, na unificação das várias jurisdições da Diáspora Ucraniana é, naturalmente, causa de júbilo para a alma de todo cristão Ortodoxo da terra, esteja onde estiver. Através desse processo, chegamos ao fim de um longo período durante o qual os irmãos de sangue, não só pela fé, mas também por origem étnica, por razões de circunstâncias políticas, foram forçados a viver separados e sem uma liderança coordenadora. Por todo esse tempo, eles foram privados, por um lado, de muitas bênçãos que vêm da unidade e do trabalho em comum de acordo com a vontade de Deus, e por outro lado, de qualquer centro de coesão espiritual que fosse próprio deles.

Nossa Santa e Grande Igreja de Cristo enche-se de orgulho espiritual pela devoção demonstrada a ela pelos descendentes atuais daqueles Ucranianos que receberam a fé Ortodoxa da Mãe Igreja há tantos séculos. Durante esta solene co-celebração e eminente dia da Ortodoxia, a Igreja não pode se omitir de expressar seu justo louvor e gratidão a todos vós que, como ovelhas, trabalharam honrosamente juntos para auxiliar os sínodos eclesiásticos locais da Diáspora a determinar a melhor forma de restaurar os sagrados laços com este venerável Centro, que foi forjado por um passado glorioso, culminando com sua vinda para estar sob a sua singular jurisdição espiritual e canônica

Hoje, mais intensamente do que em qualquer outra oportunidade, vivemos a tragédia da divisão entre os cristãos em geral. Todos nós da Ortodoxia temos o sagrado dever de nos rejubilarmos diante da unidade alcançada por nossos irmãos e irmãs de fé. Não é só o fato de que dolorosas feridas do passado foram curadas, mas também o fato do exemplo amoroso que foi dado às inúmeras denominações e confissões da cristandade que deve ser imitado.

Neste sagrado momento, seria supérfluo enfatizar que a boa vontade por parte da Igreja de Constantinopla, do trono primacial da Ortodoxia, reconhecer o sagrado pedido que vocês apresentaram com devoção e valor, não pode ter qualquer outra intenção que não seja a firme resolução dos muitos e importantes problemas relativos à Diáspora Ortodoxa em geral. No que tange a Diáspora Ortodoxa, esta Igreja sente que, de uma forma especial- se não da única forma ela está vinculada pelos Cânones sagrados. O imprescritível laço da Igreja de Constantinopla com os Ortodoxos na Diáspora, não deve ser interpretado somente à luz do renomado cânone 28 do Quarto Concílio Ecumênico, mas também à luz da antiga e santa ordem da antiga pentarquia.

Proclamando oficialmente todas essas coisas na Divina Liturgia do Domingo da Ortodoxia, mais uma vez convidamos as demais Santas Igrejas Ortodoxas Independentes para trabalharem juntas para a mais rápida e correta solução, de acordo com os sagrados Cânones, de todos os problemas da Diáspora em geral. Infelizmente, o mundo moderno, devido à sua constante e rápida reestruturação sóciopolítica, imprevidentemente multiplica esses problemas em detrimento de todos nós e da missão da Igreja no mundo em geral.

Estamos convictos de que nosso fraterno apelo será ouvido e cumprido por nossas Igrejas Ortodoxas irmãs, com a mesma medida de sinceridade com que este apelo está sendo feito. Convidamos a todos vocês, irmos e co-celebrantes, doravante sob nossa jurisdição, a continuarem o seu trabalho de reconciliação e edificação em Deus de todos os Ortodoxos da Diáspora através de todos os meios pacíficos e agradáveis a Deus. Isto nos orgulhará e será, ao mesmo tempo, um meio de suporte principalmente para a Mãe Igreja aqui, mas também para toda a Ortodoxia que existe sob os céus.

Rejubilamo-nos especialmente por vocês terem vindo para esta sagrada co-celebração, acompanhados por um número significativo de seus colegas de trabalho do piedoso clero e devotos fiéis de seus rebanhos.

Que o Sagrado e Puro Corpo e Sangue de Cristo – dos quais neste dia, jubilosamente fomos considerados dignos de compartilhar na Taça Comum de uma só fé – nos purifique de todas as manchas do passado.

Que possamos encontrar apoio e sermos protegidos de qualquer tentação e outros perigos, no presente e no futuro, para que, sem condenação, possamos oferecer este sacrifício para a maior glória de Deus e aperfeiçoamento espiritual de Seu povo.

Constantinopla – (Istambul), 12 de março de 1995

† Bartolomeu de Constantinopla